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Fiscalização em obras de Florianópolis testa fios e cabos no próprio local e aponta conformidade em todos os empreendimentos avaliados

Operação realizada pelo Procon Municipal contou com apoio técnico do Sindicel e da Qualifio; laboratório móvel permitiu avaliar materiais utilizados nas instalações elétricas de oito obras e uma loja de materiais de construção

Florianópolis (SC) — Uma operação de fiscalização realizada pelo Procon Municipal de Florianópolis no dia 9 de setembro de 2026 colocou sob análise um componente da construção civil que normalmente permanece escondido depois que um imóvel fica pronto, mas que tem relação direta com sua segurança: os fios e cabos elétricos instalados dentro das edificações.

A ação percorreu diferentes pontos da capital catarinense e fiscalizou oito obras, em diferentes estágios de execução, além de uma loja de materiais de construção. A operação contou com o apoio técnico do Sindicel – Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não-Ferrosos – e da Qualifio – Associação Brasileira pela Qualidade dos Fios e Cabos Elétricos.

Mais do que uma inspeção visual, a fiscalização teve um componente técnico importante: um laboratório móvel acompanhou a operação, permitindo a realização de ensaios nos fios e cabos encontrados nos locais visitados.

O resultado foi positivo: os materiais verificados nos nove locais fiscalizados foram considerados conformes nos testes realizados durante a ação.

O dado ganha relevância porque a qualidade de um cabo elétrico não pode ser determinada apenas por sua aparência. Depois que uma construção é concluída, grande parte desse material fica escondida em conduítes, paredes, lajes e quadros elétricos. Eventuais problemas podem, portanto, permanecer invisíveis ao consumidor.

Da fundação ao acabamento: fiscalização encontrou obras em diferentes etapas

Uma das características da operação foi justamente não concentrar as verificações em empreendimentos que estivessem no mesmo estágio.

As equipes encontraram obras em diferentes fases de construção, o que permitiu observar situações distintas de utilização e instalação dos materiais.

Em uma obra mais avançada, por exemplo, parte da infraestrutura elétrica já pode estar incorporada ao imóvel. Em outra, os cabos podem estar sendo instalados naquele momento. Em etapas anteriores, é possível encontrar materiais ainda armazenados ou preparados para utilização.

Essa diversidade torna a fiscalização particularmente relevante porque permite observar a cadeia de utilização do produto em situações reais de obra.

Além de verificar os empreendimentos, a operação incluiu uma loja de materiais de construção, ampliando a fiscalização para outro ponto da cadeia: a comercialização.

Por que testar um fio elétrico?

Para o consumidor comum, dois cabos com a mesma indicação de bitola podem parecer praticamente idênticos. Tecnicamente, porém, podem existir diferenças importantes.

Entre os parâmetros que podem ser avaliados em ensaios de fios e cabos está a resistência elétrica do condutor, diretamente relacionada ao desempenho do produto.

É justamente por isso que a fiscalização técnica é diferente de simplesmente verificar embalagens ou observar visualmente a instalação.

O Sindicel informa que monitora a qualidade dos fios e cabos disponíveis no mercado e que, desde 2024, ampliou sua atuação para verificações de instalações prediais, tendo como referências a ABNT NBR 5410:2004 e requisitos regulatórios aplicáveis.

A Qualifio, por sua vez, explica que seu processo de monitoramento envolve coleta de amostras, ensaios laboratoriais, análise dos resultados e comunicação aos órgãos competentes quando são encontradas irregularidades.

Um problema que vai muito além de Florianópolis

O fato de todos os pontos verificados na operação de Florianópolis terem apresentado resultado positivo é uma boa notícia, mas ganha ainda mais importância quando colocado diante do cenário nacional.

Dados divulgados pela Qualifio, com base em informações do setor, apontam que fiscalizações realizadas em diferentes regiões do país já resultaram em apreensões de grandes volumes de fios e cabos fora dos padrões técnicos exigidos.

Em ações anteriores, órgãos de defesa do consumidor e entidades ligadas ao setor elétrico identificaram produtos que não atendiam às especificações técnicas, reforçando a importância de operações preventivas e de monitoramento contínuo.

Ou seja: encontrar conformidade não deve ser encarado como um detalhe burocrático.

É exatamente o resultado que se espera de uma construção segura.

O que está escondido na parede também precisa ser fiscalizado

Quando alguém compra um apartamento ou uma casa nova, a avaliação normalmente começa pelo que está visível.

Piso, revestimento, pintura, portas, janelas, louças, metais e acabamento costumam receber grande atenção.

A instalação elétrica, no entanto, é uma das estruturas mais importantes do imóvel e, paradoxalmente, uma das menos acessíveis ao comprador.

Depois da entrega da obra, quilômetros de condutores podem permanecer escondidos dentro de paredes e lajes durante décadas.

É por isso que a fiscalização durante a construção pode funcionar como uma camada adicional de proteção ao consumidor.

Um produto inadequado instalado hoje pode não apresentar um problema imediatamente. A preocupação está também em seu comportamento ao longo do tempo e diante das condições de utilização da instalação elétrica.

Fios e cabos fora das especificações podem estar relacionados a riscos como sobreaquecimento, curto-circuitos e incêndios, tornando a qualidade desses materiais um assunto diretamente ligado à segurança da população.

Fiscalização também protege quem trabalha corretamente

Existe ainda outro aspecto da operação que vai além da segurança elétrica: a concorrência no mercado.

Materiais produzidos fora das especificações podem chegar ao mercado com custos inferiores aos daqueles fabricados em conformidade com as exigências técnicas.

Isso cria um problema duplo.

De um lado está o consumidor, que pode adquirir um produto sem ter condições técnicas de identificar uma eventual irregularidade.

Do outro estão fabricantes, distribuidores, lojistas e construtoras que investem em produtos regulares e acabam disputando mercado com materiais potencialmente mais baratos justamente porque podem não apresentar as mesmas características.

Por isso, fiscalizações desse tipo também contribuem para estabelecer condições mais equilibradas de concorrência.

Todos os locais fiscalizados tiveram resultado positivo

De acordo com as informações da operação, foram verificados os seguintes endereços:

  • Empreendimento – R. Graciliano Manoel Santos, 600, Ingleses: cabos verificados – tudo OK;
  • Empreendimento Lumma – Rod. Armando Calil Bulos, 5278, Ingleses: tudo OK;
  • Empreendimento Agnes – R. Luiz Elias Daux, 1080, Ingleses: tudo OK;
  • Empreendimento – R. Ruth Pereira, 93, Ingleses: tudo OK;
  • Empreendimento Adore – R. Leonel Pereira, 831, Ingleses: tudo OK;
  • Empreendimento MF – R. João Pio Duarte Silva, 831, Córrego Grande: tudo OK;
  • Empreendimento – R. João Pio Duarte Silva, 154, Córrego Grande: tudo OK;
  • Empreendimento – R. João Pio Duarte Silva, 54, Córrego Grande: tudo OK;
  • Loja Eletromar – Rod. Armando Calil Bulos, 6030, Ingleses: tudo OK.

O resultado é especialmente relevante porque a operação não se limitou a um único empreendimento ou a uma única região da cidade.

Foram fiscalizados endereços nos Ingleses, no Norte da Ilha, e no Córrego Grande, além do estabelecimento comercial.

Laboratório móvel leva a análise técnica até a fiscalização

A presença do laboratório móvel é um dos elementos que diferenciam a operação.

Em vez de a atuação se limitar à documentação ou identificação dos produtos, equipamentos de medição acompanharam as equipes, permitindo que os cabos fossem submetidos a verificações técnicas durante a ação.

Esse modelo aproxima a fiscalização do ponto em que o material efetivamente está sendo utilizado.

E existe uma diferença importante entre verificar um produto disponível em uma loja e verificar aquilo que efetivamente chegou a uma construção.

No mercado da construção civil, determinados materiais podem ser adquiridos diretamente por construtoras e instaladoras. Por isso, chegar às obras amplia o alcance da fiscalização e permite observar, na prática, o que está sendo aplicado nas instalações.

Resultado positivo também é notícia

Fiscalizações costumam ganhar espaço no noticiário principalmente quando terminam em apreensões, multas ou identificação de irregularidades.

Mas uma operação na qual todos os materiais analisados apresentam resultado satisfatório também traz uma informação relevante para a sociedade.

Significa que, naquele recorte específico — os locais, produtos, amostras e parâmetros efetivamente avaliados na operação —, não foram identificadas as irregularidades que a fiscalização buscava detectar.

É importante fazer essa delimitação: um resultado positivo em uma fiscalização não representa uma certificação irrestrita de toda a obra nem permite concluir que todos os componentes de todas as instalações foram examinados. Ele registra o resultado das verificações efetivamente realizadas naquele momento.

Ainda assim, para o consumidor, o saldo é importante.

A fiscalização mostra que existe uma rede de controle capaz de chegar a um elemento da construção que dificilmente o comprador conseguiria avaliar sozinho.

Segurança começa antes de o morador receber as chaves

Talvez essa seja a principal mensagem deixada pela operação realizada em Florianópolis.

Segurança elétrica não começa quando o morador liga o primeiro eletrodoméstico na tomada.

Ela começa muito antes.

Começa na fabricação do condutor, passa pela certificação e comercialização, pela escolha dos fornecedores, pela compra realizada pela construtora, pela execução da instalação elétrica e chega, finalmente, ao imóvel que será entregue ao consumidor.

Quando órgãos de defesa do consumidor, entidades técnicas e setor produtivo atuam conjuntamente, a fiscalização deixa de observar apenas o produto acabado e passa a acompanhar etapas anteriores dessa cadeia.

No caso da operação realizada em 9 de setembro de 2026, o resultado encontrado nas obras e no estabelecimento fiscalizados em Florianópolis foi justamente aquele que moradores, construtoras e poder público esperam encontrar:

fios e cabos dentro dos parâmetros avaliados e nenhuma irregularidade identificada nas verificações realizadas.

Em uma infraestrutura que ficará escondida atrás das paredes por muitos anos, esse “tudo OK” tem um significado que vai muito além de um resultado de laboratório.

Representa mais segurança para quem constrói, para quem compra e, principalmente, para quem vai viver dentro desses imóveis.

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